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TJSP apoia movimento Setembro Amarelo na luta contra suicídios

Palestras e campanha nas redes sociais.       De acordo com dados pulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa se suicida – são 800 mil mortes por ano. No Brasil, o Ministério da Saúde calcula que cerca de 11 mil pessoas cometem autoextermínio anualmente, desde crianças até idosos. Essa é a segunda principal causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos, atrás apenas dos acidentes de trânsito. De olho nos números e na situação que esses dados revelam, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) desenvolvem, desde 2014, campanhas anuais para alertar a população sobre o assunto. Batizada de “Setembro Amarelo”, a iniciativa tem como principal data o dia 10, Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, período em que o Brasil se une para agir, informar e tentar combater esses atos que, de acordo com a OMS, poderiam ser evitados em 90% dos casos. O suicídio hoje é visto como um problema de saúde pública, de dimensões globais.     O Tribunal de Justiça de São Paulo também apoia o movimento Setembro Amarelo, assim como outras campanhas de conscientização que ocorrem ao longo do ano, relacionadas a diferentes temas, como o “Janeiro Branco” (saúde mental) e o “Outubro Rosa” (prevenção ao câncer de mama). Neste mês, a Corte paulista organizou palestra para o público interno sobre “Avaliação do Risco e Prevenção do Suicídio”, com a psiquiatra Kátia Oddone Del Porto, realizada no dia 10. Ela abordou vários aspectos do assunto, como comportamentos suicidas, fatores de risco, incidência em jovens, mitos e verdades, impactos do novo coronavírus na saúde mental e sinais que devem ser observados. O TJSP também compartilhou postagens relacionadas ao tema em suas páginas nas redes sociais e, simbolicamente, incluiu uma fita amarela em seu logotipo no site e demais mídias.     De acordo com a psiquiatra, há algumas frases de alerta que todo mundo já deve ter ouvido ou até mesmo falado. Não significa que dizê-las pontualmente, em alguns momentos difíceis, seja indício de suicídio. No entanto, a repetição pode ser um aviso. “Frases como ‘eu preferia estar morto’, ‘eu não posso fazer nada’, ‘eu não aguento mais’, ‘eu sou um perdedor e um peso para os outros’ e ‘os outros serão mais felizes sem mim’ podem sinalizar uma depressão em curso, um estresse pessoal que a família e os amigos não estão tendo acesso. É bom prestar atenção”, afirma. De acordo com a palestrante, uma pesquisa americana, pulgada em agosto, revelou que 25% dos jovens entre 18 e 24 anos considerou seriamente o suicídio nos 30 dias anteriores.       Magistratura próxima da comunidade     As juízas Marcela Papa Paes e Mônica Tucunduva Spera Manfio, da Comarca de Assis, criaram um perfil no Instagram (@MM.Justiça), que trata de Direito e Cidadania, com a finalidade de prestar serviços de utilidade pública, pulgando informações de interesse comum e interagindo com a sociedade. No Setembro Amarelo, as magistradas disponibilizaram aos seguidores o curso 100% gratuito “Você é Insubstituível”, desenvolvido pelo psiquiatra e escritor Augusto Cury. O curso, fruto de um programa do mesmo nome, do qual Mônica Tucunduva é uma das embaixadoras, teve quatro encontros ao longo do mês. “Diante do isolamento social, decorrente da pandemia do novo coronavírus, muitas situações de depressão, ansiedade e, também, sentimentos de tristeza, abandono e solidão acabaram se agravando nesse período, além de fatores de incerteza quanto ao futuro e questões financeiras”, diz a juíza.     Com a dificuldade de realização do curso de forma presencial no atual contexto, ela conta que surgiu a ideia, entre alguns embaixadores, de realizá-lo inteiramente on-line. As palestras ensinaram ferramentas de gestão da emoção para ajudar as pessoas a desenvolverem habilidades emocionais que promovem a autoestima, o bem-estar, a construção de relações saudáveis e um olhar mais crítico da vida.     Para Marcela Papa Paes, é importante trazer o tema à tona. “Durante muito tempo não se falava sobre o suicídio por receio de que isto, de alguma forma, pudesse instigar outras pessoas. No entanto, com o tempo e com o crescimento das taxas, viu-se que o assunto deve ser abordado, contudo, de forma cautelosa e tentando proporcionar acolhimento”, ressalta. De acordo com a magistrada, o objetivo do suicida é pôr fim à dor, muitas vezes disfarçando seu estado depressivo para familiares e amigos. “Trazer esta questão ao debate é uma maneira de mostrar que há pessoas capacitadas que podem auxiliar neste enfrentamento”, afirma.     Em Adamantina, Judiciário, Ministério Público e a psicoeducadora Denise Alves Freire criaram a campanha “Setembro Amarelo Especial na Alta Paulista”, que também contou com apoio de empresários da região. Com foco educacional, a ação ocorreu em várias escolas para promover debates sobre planos de vida. Foram promovidas pelos professores persas atividades para desenvolver o bem-estar das crianças e dos jovens.       A Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Eurico Leite de Morais, por exemplo, criou um concurso de desenhos e frases sobre sonhos realizáveis, para estimular a criatividade. As crianças tornaram-se protagonistas e desenvolveram trabalhos que traduzem como será para elas o mundo pós-pandemia. As famílias também participaram do debate, com reflexões sobre a importância da vida. “Foi um trabalho em que os adultos também compreenderam a importância da construção da rede de vida para a concretização de um plano de vida saudável. O resultado foi emocionante e pode ser apreciado em uma exposição no saguão do Fórum de Adamantina”, conta a juíza Ruth Duarte Menegatti.       Como ajudar     Ao contrário do que muitos pensam, o autoextermínio pode afetar pessoas de qualquer faixa etária. Também não é verdadeira a ideia de que quem ameaça se suicidar não o faz – a maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre suas ideias de morte. Existem alguns mecanismos de prevenção ao suicídio vinculados ao Poder Público. Um deles é o telefone 188, uma parceria do Governo com o Centro de Valorização da Vida (CVV). Quem liga para o número pode conversar com um voluntário para receber orientações ou simplesmente desabafar. O serviço está disponível 24 horas por dia, é gratuito e recebe ligações de telefone fixo e celular. Outra iniciativa de prevenção ao suicídio é o atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Nesses locais, as pessoas têm acesso a tratamento de saúde mental, podendo ter consultas com psicólogos e psiquiatras. Se você precisa ou conhece alguém que precise de ajuda, repasse as informações. Ser solidário e estender a mão ao próximo ajuda a salvar vidas.       A psiquiatra Kátia Oddone Del Porto dá algumas orientações sobre o tema:       Quais sinais devem ser observados?     As pessoas podem apresentar desânimo ou queixas sobre a falta de sentido para a existência, por exemplo. Também é comum expressarem de forma direta o desejo de morrer ou evidenciarem que não conseguem fazer planos para o futuro. Especialmente entre os jovens, há tendência ao isolamento, mudanças abruptas de comportamento, abuso ou dependência de substâncias. Uma vez que o comportamento suicida está diretamente ligado a transtornos mentais, alterações de humor que estejam impactando de forma negativa a vida de alguém podem ser um sinal de alerta.       Como ajudar?     É muito importante manter uma conversa aberta sobre o que a pessoa tem pensado e sentido e orientá-la a procurar serviços de saúde mental. Se possível, acompanhá-la, manter contato com os profissionais envolvidos no tratamento e se fazer presente enquanto houver risco de suicídio.       O que é possível fazer para ajudar uma pessoa a se livrar de pensamentos suicidas?     Muitas vezes, para além do suporte familiar e de amigos, a pessoa precisará de suporte profissional, que pode consistir em tratamento clínico e/ou psicoterápico. Em todo caso, é de grande ajuda mostrar para as pessoas que pensam em cometer suicídio o quanto é fundamental a busca de um sentido para a existência.       Existem épocas da vida mais problemáticas?     O período da adolescência requer um olhar diferenciado. Há muitas alterações de comportamentos próprias dos adolescentes que podem se confundir com quadros depressivos, como impulsividade exacerbada, tendência ao abuso de substâncias, conflitos na esfera da sexualidade, exposição a bullying, negligência, abandono, alterações na percepção da autoimagem. Os idosos também constituem um grupo vulnerável. O envelhecimento pode intensificar sentimentos de solidão, que são somados à presença de doenças crônicas, limitações e medo de se tornar um fardo para os familiares.       Como superar um momento difícil?     Aqueles que se sentem sem esperança, angustiados e sem perspectiva de futuro precisam, inicialmente, vencer o próprio medo de procurar ajuda. É necessário desmistificar a ideia de que as alterações emocionais são sinais de fraqueza ou de que a doença mental não tem o mesmo valor que a doença física. É preciso cuidar igualmente do corpo e da mente, procurar conversar com alguém de confiança, seja familiar ou amigo e, sobretudo, buscar ajuda profissional.       N.R.: texto originalmente publicado no DJE de 23/9/20.            imprensatj@tjsp.jus.br       Siga o TJSP nas redes sociais:     www.facebook.com/tjspoficial         www.twitter.com/tjspoficial     www.youtube.com/tjspoficial         www.flickr.com/tjsp_oficial     www.instagram.com/tjspoficial   
24/09/2020 (00:00)

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